
A desparasitação interna e externa é uma das rotinas de saúde mais importantes para cães e gatos, para os proteger de parasitas que podem causar doenças graves e, em muitos casos, afetar também a saúde humana.
Parasitas internos e externos estão presentes no ambiente durante todo o ano e podem afetar animais de qualquer idade — mesmo aqueles que vivem exclusivamente dentro de casa, já que ovos e larvas podem ser trazidos em sapatos, roupa ou através do contacto com outros animais.
Estes parasitas não só provocam desconforto, alterações na pele, no pelo e no sistema digestivo, como também podem transmitir doenças graves, incluindo algumas que representam risco para os tutores dos animais.
Manter um plano regular de desparasitação é, por isso, essencial para prevenir infestações, proteger a saúde do animal e reduzir o risco de transmissão no ambiente familiar.
Mas o que é a desparasitação interna e externa?
A desparasitação interna e externa refere-se ao conjunto de medidas preventivas e terapêuticas que visam eliminar ou controlar parasitas que vivem dentro do organismo (intestino, coração, pulmões) ou na pele e pelo dos animais.
➤ Desparasitação interna
A desparasitação interna atua contra parasitas como lombrigas, ténias, vermes pulmonares e cardíacos, que se alojam no trato digestivo ou noutros órgãos internos dos animais de companhia.
➤ Desparasitação externa
A desparasitação externa protege contra os chamados “ectoparasitas”, como pulgas, carraças, piolhos e flebótomos (mosquitos transmissores da leishmaniose), que se fixam na pele e se alimentam de sangue.
Estes dois tipos de desparasitação, interna e externa, são complementares e essenciais num plano de medicina preventiva, sendo recomendadas ao longo de todo o ano, independentemente da estação.
Por que é tão importante desparasitar cães e gatos?
Os parasitas não são apenas um incómodo: podem transmitir doenças graves, debilitar o sistema imunitário, causar anemias, problemas digestivos, dermatites e, em alguns casos, serem transmitidos aos humanos.
Segundo fontes veterinárias, a desparasitação em animais de companhia é fundamental para:
Prevenir doenças como babesiose, erliquiose, leishmaniose e infeções gastrointestinais;
Garantir o bem-estar do animal, evitando comichão, perda de peso, diarreia, vómitos e pelagem opaca;
Proteger a saúde da família, uma vez que alguns parasitas internos e externos são zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos naturalmente entre animais e seres humanos.
Desparasitação interna e externa em cães: o que precisa de saber
Os cães, por terem maior contacto com o exterior, estão mais expostos a parasitas. Então, o processo de desparasitação torna-se ainda mais essencial.
A desparasitação interna e externa de cães deve ser adaptada ao estilo de vida, idade e risco de exposição a parasitas.
➤ Parasitas internos em cães
Os parasitas internos mais comuns em cães são os nemátodes (lombrigas) e os cestódeos (ténias). Os cães podem infetar-se ao:
Ingerir ovos ou larvas presentes no solo, água ou fezes de outros animais;
Serem infetados ainda no útero ou através do leite materno (no caso de cachorros);
Consumirem presas ou carne crua contaminada.
Os sintomas de parasitas internos em cães incluem:
Diarreia;
Vómitos;
Perda de peso;
Abdómen inchado;
Presença de vermes ou segmentos brancos nas fezes;
Pelagem sem brilho.
➤ Parasitas externos em cães
Pulgas e carraças são os parasitas externos mais frequentes em cães, mas os flebótomos (mosquitos) também representam risco, principalmente em zonas endémicas de leishmaniose.
Os cães podem infetar-se com parasitas externos de várias formas, sendo as principais:
Contacto direto com outros animais infetados ao brincar, cheirar ou estarem próximos;
Ambiente contaminado: ovos, larvas e ninfas de pulgas e carraças podem estar no solo, relva, tapetes, caminhas, coleiras e outros objetos;
Picadas de mosquitos que transportam o parasita;
Transporte passivo pelos tutores através de sapatos, roupas, sacos ou malas, especialmente quando frequentarem zonas rurais, parques ou locais com muitos animais;
Caça ou contacto com animais selvagens (coelhos, roedores, raposas, ouriços) que podem ser reservatórios de parasitas externos.
Os sintomas de parasitas externos em cães incluem:
Comichão intensa;
Vermelhidão;
Crostas;
Perda de pelo;
Presença de parasitas visíveis ou de “pontos negros” (fezes de pulga) no pelo.
Desparasitação interna e externa em gatos: particularidades
A desparasitação interna e externa de gatos segue princípios semelhantes à dos cães, mas com algumas diferenças práticas.
Mesmo vivendo em apartamento, os gatos podem ser infetados por pulgas trazidas para dentro de casa ou por parasitas internos através da ingestão de presas (ratos, baratas).
➤ Parasitas internos em gatos
Lombrigas e ténias são comuns, e os gatos podem infetar-se por:
Ingestão de ovos no ambiente ou através de presas infetadas;
Contaminação durante a amamentação (no caso dos gatinhos).
Os sintomas de parasitas internos em gatos incluem:
Vómitos;
Diarreia;
Perda de peso;
Barriga inchada;
Vermes visíveis nas fezes ou no vómito.
➤ Parasitas externos em gatos
As pulgas são o principal problema, causando dermatite alérgica à picada de pulga.
Já as carraças são menos frequentes em gatos, comparativamente com os cães, mas também são possíveis.
Os gatos podem infetar-se com parasitas externos de formas semelhantes às dos cães, mas com algumas particularidades relacionadas com o seu comportamento e estilo de vida.
Assim, as principais vias de infestação em gatos são também o contacto com outros animais infetados, um ambiente contaminado, o transporte passivo pelos tutores e a caça e contacto com presas.
Os gatos que vão a clínicas veterinárias ou casas de amigos com animais têm maior risco de contacto com ambientes ou animais infetados.
Tenha atenção a estes sintomas de parasitas externos em gatos:
Coçar excessivo;
Lesões na pele;
Queda de pelo;
Anemia por infestação massiva de pulgas (em casos graves).
Quando e com que frequência desparasitar?
A frequência ideal para desparasitar gatos e cães depende da idade, estilo de vida e risco dos animais envolvidos, mas existem recomendações gerais validadas por médicos veterinários.
➤ Frequência da desparasitação interna
Cachorros e gatinhos: a primeira desparasitação interna deve ocorrer entre os 21 e 30 dias de vida, repetindo-se a cada 2–3 semanas até aos 3 meses, e depois mensalmente até aos 6 meses;
Animais adultos: recomenda-se desparasitar internamente a cada 3 meses (4 vezes por ano), podendo ser mais frequente em animais de alto risco (caça, contacto com outros animais, zonas rurais).
➤ Quando fazer a desparasitação externa
A prevenção deve ser contínua. A maioria dos produtos oferece proteção mensal (pipetas, comprimidos) ou de longa duração (coleiras até 8 meses).
Em zonas de risco, nomeadamente em regiões com flebótomos ou alta incidência de carraças, a proteção externa deve ser mantida todo o ano, sem interrupções.
Tipos de produtos para desparasitação
Existem várias opções no mercado e a escolha deve ser feita em colaboração com o médico veterinário, que avaliará o peso, idade, estado de saúde e risco do animal.
➤ Para desparasitação interna
Comprimidos: eficazes, de ação rápida e fáceis de administrar (muitos são mastigáveis e palatáveis);
Xaropes: indicados principalmente para cachorros e gatinhos, permitindo um ajuste preciso da dose.
➤ Para desparasitação externa
Pipetas (spot-on): aplicadas na pele, entre as escápulas, distribuindo-se pelo corpo — dão uma proteção típica de 1 mês;
Coleiras: libertam o princípio ativo de forma contínua, protegendo durante 4 a 8 meses, e são ideais para prevenção prolongada;
Comprimidos mastigáveis: atuam sistemicamente, eliminando pulgas e carraças em poucas horas, com duração de várias semanas;
Sprays e champôs: úteis em infestações ativas ou como complemento, mas com duração mais curta.
Dica profissional: combinar dois métodos (ex.: coleira + pipeta ou comprimido + repelente) pode oferecer uma proteção mais completa, especialmente em períodos de alto risco.
Como aplicar corretamente os produtos de desparasitação
A eficácia depende da aplicação correta. Erros comuns incluem aplicar a dose errada, não respeitar o intervalo entre tratamentos ou usar produtos inadequados ao peso/espécie.
➤ Aplicação de pipetas
Escolha a pipeta adequada ao peso do animal;
Aplique diretamente na pele, afastando o pelo, desde a nuca até à base da cauda;
Evite que o animal lamba o produto nas primeiras horas.
➤ Aplicação de sprays
Use luvas e aplique a 20–30 cm de distância, no sentido contrário ao do pelo;
Cubra dorso, barriga e patas, evitando olhos, nariz e boca;
Deixe secar naturalmente.
➤ Colocação de coleiras
Ajuste bem ao pescoço, garantindo contacto com a pele;
Não retire até ao fim do prazo de validade indicado;
Substitua assim que expirar a eficácia.
➤ Administração de comprimidos
Administre segundo a prescrição (com ou sem alimento, conforme o produto);
Observe se o animal vomita nas horas seguintes (pode ser necessária uma nova dose).
Mitos e erros comuns sobre desparasitação
Alguns equívocos resultantes de mitos e ideias pré-concebidas podem colocar o animal em risco. Conheça os mais frequentes:
➤ “Só preciso de desparasitar no verão.”
❌ Falso. Parasitas, tais como pulgas e carraças, podem sobreviver em ambientes interiores durante todo o ano.
➤ “O meu animal não sai de casa, não precisa de desparasitar.”
❌ Falso. Pulgas e ovos podem entrar em casa através de sapatos, roupas ou outros animais.
➤ “Os produtos naturais são suficientes para controlar parasitas.”
⚠️ Cuidado. Muitos não têm eficácia comprovada e podem deixar o animal desprotegido.
➤ “Basta desparasitar uma vez por ano.”
❗ É insuficiente. A maioria dos protocolos recomenda uma desparasitação interna trimestral e externa mensal ou contínua.
Desparasitação interna e externa é um investimento em saúde
Investir num plano regular de desparasitação interna e externa para os animais domésticos significa prevenir doenças, reduzir custos com tratamentos futuros e garantir mais anos de vida saudável aos seus companheiros.
Lembre-se: cada animal é único. O plano ideal de desparasitação interna e externa de cães ou de desparasitação interna e externa de gatos deve ser definido em conjunto com o seu médico veterinário, considerando idade, peso, hábitos e risco de exposição.
