O que é a disortografia, sintomas e como tratar?

O que é a disortografia, sintomas e como tratar?

Sara Paiva
Sara Paiva |  
Terapias |  04 dezembro 2025 |  
8 min. de leitura
rapaz sorridente com livro na mão, mochila nas costas em biblioteca da escola

A disortografia é um transtorno de aprendizagem com défice na expressão escrita, revelando-se através da imprecisão gramatical, ortográfica e de pontuação, assim como da falta de organização escrita.

Pessoas com disortografia não têm uma escrita percetível ou clara, apresentam défice na capacidade de compor textos escritos, mas apresentam uma leitura normal.

Erros pontuais não caracterizam disortografia, especialmente durante o processo de alfabetização. Contudo, erros e dificuldades persistentes podem ser indicativos de um transtorno de aprendizagem.

Aqui, iremos mostrar-lhe o que é a disortografia e quais os seus sintomas, de modo que possa procurar ajuda especializada precocemente e, assim, conseguir melhores resultados com a intervenção terapêutica.

O que é disortografia?

A disortografia (ou perturbação da expressão escrita) é um transtorno de aprendizagem que se caracteriza pela dificuldade em escrever corretamente. É, portanto, uma perturbação específica com défice na expressão escrita, a qual afeta:

  • Precisão ortográfica;

  • Precisão gramatical;

  • Clareza da expressão escrita;

  • Precisão da pontuação;

  • Organização da expressão escrita.

A disortografia pode, ou não, coexistir com outros transtornos, sendo comum coexistir com a dislexia (défice de leitura).

Tipos de disortografia

A disortografia pode ser dividida em subgrupos, sendo eles:

  • Cinéticos — pessoas com este tipo de disortografia têm dificuldades no discurso, cometendo erros de separação e união de letras, sílabas e/ou palavras;

  • Culturais — pessoas neste subgrupo apresentam dificuldades na aprendizagem da ortografia convencional;

  • Dinâmicos — pessoas com este tipo de disortografia apresentam alterações na escrita e dificuldade em estruturar ideias;

  • Disortográficos temporais — pessoas com este tipo de disortografia apresentam dificuldades em perceber aspetos fonémicos da linguagem falada, levando à incorreta substituição/junção/separação de palavras;

  • Percetivo-cinestésicos — este tipo de disortografia caracteriza-se pela dificuldade em repetir os sons ouvidos;

  • Semânticos — este subgrupo caracteriza-se por dificuldades na utilização de sinais ortográficos;

  • Viso-espacial — este subgrupo caracteriza-se por alterações percetivas dos grafemas, levando a que as pessoas com este tipo de disortografia façam rotações/inversões (p/b, por exemplo), confusões de caracteres com dupla grafia (x/ch) e substituições de grafemas similares (m/n, por exemplo).

Diferença entre dislexia, disortografia e disgrafia

Como vimos, a disortografia é um transtorno de aprendizagem que afeta a escrita. Já a dislexia é uma perturbação de aprendizagem que afeta a leitura. A disgrafia afeta, também, a escrita, mas de forma diferente.

Pessoas com dislexia têm dificuldade em processar a linguagem, descodificar palavras, estabelecer relação entre fonemas e grafemas e compreender textos.

As pessoas com disortografia apresentam dificuldades na ortografia e organização de texto. Já as pessoas com disgrafia têm dificuldades em desenhar as letras, apresentando a famosa “letra feia”.

Sintomas

Para uma intervenção com resultados mais eficazes é importante detetar a disortografia o mais precocemente possível. Nesse sentido, devemos estar atentos a todos os sinais de alarme que trazemos abaixo:

  • Incorreções ortográficas, como: omissão de letras e/ou sílabas; inversão de letras e/ou sílabas; adição de letras e/ou sílabas; substituição de letras com sons similares; substituição de letras com formas similares; uso incorreto das regras gramaticais (por exemplo, trocar o -am por -ão);

  • Dificuldades na pontuação: pouca pontuação; ausência de pontuação; uso incorreto dos sinais de pontuação;

  • Dificuldades na precisão gramatical (embora possam saber, de forma isolada, as diferentes regras gramaticais, quando têm de as aplicar cometem erros);

  • Dificuldades no planeamento, encadeamento e organização das ideias;

  • Ritmo lento ao escrever.

Exemplo de disortografia

Vejamos alguns exemplos práticos de sinais de alerta para a disortografia:

  • Inversão de letras e/ou sílabas — “braco”, em vez de “barco”;

  • Omissão de letras e/ou sílabas — “baco”, em vez de “banco”;

  • Adição de letras e/ou sílabas — “comere”, em vez de “comer”;

  • Uso incorreto das regras gramaticais — “jogão”, em vez de “jogam”;

  • Substituição de letras com sons similares — “foa”, em vez de “voa”.

Causas da disortografia

A disortografia pode estar enquadrada em quatro tipos de causas distintas, as quais são:

  • Percetiva — a pessoa tem uma deficiência de perceção, memória visual, memória auditiva e orientação espaciotemporal, levando a erros de orientação das letras e a dificuldades/incapacidade em discriminar grafemas semelhantes;

  • Intelectual — a pessoa apresenta um défice/imaturidade intelectual, originando uma escrita incorreta;

  • Afetivo-emocional — pouca motivação e atenção levam a pessoa a cometer erros ortográficos;

  • Pedagógica — níveis de ensino desajustados à criança podem ser uma causa de disortografia.

Diagnóstico

O diagnóstico de disortografia deve ser feito por um técnico especialista em dificuldades de aprendizagem, como um psicólogo, neuropsicólogo ou psicopedagogo.

Uma criança só é diagnosticada com disortografia depois de dois anos de estimulação formal da escrita e da leitura.

É importante, também, descartar deficiências auditiva/visual, perturbações específicas de linguagem e averiguar se há uma fraca estimulação escolar e familiar.

A avaliação para correto diagnóstico geralmente envolve provas de:

  • Letras;

  • Palavras, pseudopalavras;

  • Frases;

  • Ditado;

  • Composição;

  • Descrição de imagens;

  • Complemento de frases.

Tratamento

A intervenção para a disortografia consiste na reeducação de competências fonológicas e seu treino, assim como na reeducação e treino de competências auditivas, visuais e espaciotemporais.

Os resultados são tanto maiores quanto mais cedo a intervenção começar. Assim, é fundamental procurar ajuda assim que a criança apresentar estas dificuldades.

Disortografia tem cura?

A disortografia, tal como outros transtornos, não tem cura. Contudo, com uma boa e precoce intervenção, pode ser ultrapassada. Uma criança com disortografia, ao receber intervenção adequada e atempada, consegue vencer os desafios e ter excelentes resultados escolares.

Como o professor pode ajudar um aluno com disortografia?

Se é professor e tem um aluno (ou vários) com disortografia, pode ajudá-lo seguindo as seguintes dicas:

  • Não sobrecarregue a criança com trabalhos que sejam muito cansativos para ela ou que a façam achar as atividades letivas desagradáveis;

  • Enfatize que, com paciência, dedicação, consistência e apoio, a criança vai conseguir melhorar o desempenho;

  • Utilize material multissensorial, principalmente aquele que estimula o tato e a audição;

  • Mantenha a calma quando o aluno cometer erros;

  • Faça exercícios de trava-língua;

  • Use quadros com letras, números e famílias silábicas para estimular a memória visual do aluno;

  • Ajuste o material ao estilo de aprendizagem do aluno com disortografia;

  • Não solicite que a criança escreva várias vezes uma palavra que erra;

  • Não reprima a criança.

É importante que pais, educadores, professores e profissionais de saúde atuem juntos para que a criança possa superar as suas dificuldades com maior rapidez e eficácia. É uma ação conjunta que leva ao sucesso de uma intervenção na disortografia.

Sara Paiva
Socióloga de formação, Copywriter de paixão. Sou uma apaixonada por literatura (e pelas artes em geral), o que me levou a seguir uma carreira na área da escrita. Desenvolvo conteúdos para o Toma Conta com o objetivo de ajudar os utilizadores a obterem a melhor informação possível.

Mais autores do Blog

Nair dos Santos

Nair dos Santos

Technical SEO e Copywriter. Apaixonada por leitura e escrita, raramente me separo de um bom livro. Sensível ao modo como a Internet pode simplificar o quotidiano, escrevo no Toma Conta para ajudar os leitores a encontrar informação rigorosa e atualizada sobre serviços e tarefas de apoio ao domicílio.

Ver artigos
Susana Valente

Susana Valente

Escrevo conteúdos para a web há mais de 20 anos como jornalista e copywriter. Adoro explorar montes e vales por esse país fora. Detesto fazer mudanças e adoro correr à beira-mar. Tenho veia de poeta, sou mãe e uma verdadeira mulher dos sete ofícios!

Ver artigos

Deixe o seu comentário