
As emoções fazem parte da nossa vida, sendo mesmo fundamentais para a experiência humana, uma vez que influenciam a forma como vivemos, interagimos e tomamos decisões. Assim, compreender as emoções básicas é o primeiro passo para conseguirmos ter uma vida mais equilibrada e consciente.
Em alguns momentos, é normal sentir que as emoções tomam o controlo da sua vida, como se agissem por conta própria, sem que possamos fazer nada em contrário. Contudo, é possível termos uma maior consciência do que sentimos se soubermos identificar as nossas emoções.
Aqui, vamos mostrar-lhe quais são as emoções básicas e como pode lidar com elas de forma saudável.
O que são emoções?
Emoções são reações do corpo e da mente, as quais surgem em resposta a um pensamento, acontecimento ou estímulo do ambiente. Ninguém experiencia as emoções da mesma forma, tão pouco as expressam de igual maneira. Cada pessoa é única no que sente, na forma como sente e como se expressa.
Embora cada pessoa seja singular na forma como vive e expressa as emoções, estas existem com um único intuito para todos — ajudar a reagir e a adaptar ao mundo e a situações que surjam.
Quantas emoções existem?
Não existe um consenso sobre o número de emoções que existem. Contudo, a maioria dos psicólogos concorda que existem algumas emoções básicas (ou centrais), as quais servem de base para todas as outras emoções.
Assim sendo, é importante olhar para os diferentes tipos de emoções, de modo que possamos avaliar cada uma delas.
Emoções primárias e secundárias
Existem dois grupos principais de emoções — as primárias (básicas) e as secundárias:
Emoções primárias — são as emoções inatas e universais, as quais são partilhadas por todas as culturas humanas. Elas funcionam como reações instintivas a estímulos. As emoções básicas, como são também chamadas, são fáceis de identificar. Exemplos: alegria, tristeza e medo;
Emoções secundárias — estas são emoções mais complexas e resultam da combinação das emoções básicas. Enquanto as emoções básicas são reações instintivas, as emoções secundárias são aprendidas ao longo da vida, através das nossas experiências pessoais e interações sociais. Exemplos: culpa, orgulho, ciúme.
Quais são as emoções básicas segundo a Psicologia?

Uma das teorias com grande influência neste tema foi desenvolvida pelo psicólogo Paul Ekman, na década de 1970. O autor identificou seis emoções básicas, universalmente reconhecidas em todas as culturas através das expressões faciais.
Emoção |
Descrição e função adaptativa |
|---|---|
Alegria |
Estado emocional agradável, caracterizado por sentimentos de satisfação, contentamento e bem-estar. Esta emoção reforça aquilo que é importante para nós, motiva-nos e fortalece os laços sociais. |
Tristeza |
Embora desconfortável, a tristeza desempenha uma função importante, uma vez que ela nos leva a momentos de reflexão, nos ajuda a conectar connosco mesmos e nos sinaliza a necessidade de cuidado, atenção ou mudança. |
Medo |
O medo é ativado sempre que sentimos uma ameaça, preparando o corpo para lutar ou fugir, protegendo-nos (seja de danos físicos ou psicológicos). Assim, esta é uma emoção essencial à nossa sobrevivência. |
Nojo (ou aversão) |
Inicialmente, o nojo (ou aversão) surgiu como resposta a alimentos que poderiam ser nocivos à nossa saúde. Com a evolução, esta emoção também passou a manifestar-se como repulsa moral a comportamentos imorais ou errados. |
Raiva |
Esta emoção está associada a sentimentos de injustiça, desrespeito ou frustração. A raiva, embora tenha uma conotação negativa, pode ser construtiva, uma vez que nos motiva a defender os nossos valores, a superar obstáculos e a lutar por aquilo em que acreditamos. |
Surpresa |
A surpresa é uma reação breve a um acontecimento de que não estávamos à espera. Esta emoção existe para que consigamos focar a nossa atenção rapidamente, avaliando a situação e preparando-nos para uma resposta adequada. |
Roda das emoções de Plutchik
O psicólogo Robert Plutchik, em 1980, desenvolveu também uma teoria interessante: “Roda das Emoções”. Para este autor, existem oito emoções básicas, as quais funcionam como blocos de construção para as emoções secundárias.
Além das seis emoções descritas por Ekman, Plutchik adiciona a confiança e a antecipação como emoções primárias.

Neste modelo, temos em atenção três fatores:
Intensidade — as emoções variam de intensidade à medida que nos aproximamos do centro da roda. Assim, podemos começar a sentir medo como apreensão (menos intenso) e ir escalando para terror (mais intenso);
Opostos — as emoções em lados opostos da roda são contrastantes, como a alegria e a tristeza;
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Combinações — as emoções básicas adjacentes podem suavizar-se ou combinar-se, formando emoções secundárias mais complexas:
Alegria e confiança ► amor;
Alegria e antecipação ► otimismo;
Confiança e medo ► submissão;
Medo e surpresa ► alerta;
Surpresa e tristeza ► deceção;
Tristeza e nojo ► remorso;
Nojo e raiva ► desprezo;
Raiva e antecipação ► agressão;
Alegria e medo ► culpa;
Alegria e raiva ► orgulho;
Confiança e surpresa ► curiosidade;
Confiança e antecipação ► fatalismo;
Medo e tristeza ► desespero;
Surpresa e nojo ► descrença;
Tristeza e raiva ► inveja;
Desgosto e antecipação ► cinismo;
Alegria e surpresa ► encantamento;
Alegria e nojo ► morbidade;
Confiança e tristeza ► sentimentalismo;
Confiança e raiva ► dominação;
Medo e nojo ► vergonha;
Medo e antecipação ► ansiedade;
Surpresa e raiva ► indignação;
Tristeza e antecipação ► pessimismo.
7 Passos para uma melhor gestão emocional
Entendendo as emoções básicas e secundárias, conseguimos geri-las melhor para o nosso bem-estar. Não se trata, aqui, de reprimir o que sentimos, mas antes acolher e processar as nossas emoções e sentimentos de forma construtiva. Como?
1 — Observe o que está a sentir — escute as suas emoções e valide-as, sem fazer julgamentos. Deve permitir-se sentir;
2 — Não classifique as emoções — não existem emoções boas ou más, até porque todas elas têm uma função específica, mesmo as mais desconfortáveis. Tente perceber qual a mensagem que a emoção lhe está a passar;
3 — Analise a situação que está a gerar a emoção — perceba como está a interpretar a situação que despoletou a emoção e tente reavaliar a perspetiva, considerando pontos de vista diferentes;
4 — Tenha atenção aos sinais do seu corpo — o corpo também lhe dá sinais do que está a sentir. Identifique as sensações físicas que estão associadas à emoção, como suor, taquicardia, calafrios, entre outros. Percebendo estas sensações, vai ajudá-lo a criar uma maior consciência corporal;
5 — Dê nome ao que sente — nomear a emoção (tristeza, ansiedade, alegria, etc.) vai ajudar a clarificar a experiência e a reduzir a sua intensidade;
6 — Procure ajuda — se não conseguir identificar e/ou gerir as emoções, considere fazer psicoterapia. Esta oferece-lhe ferramentas e estratégias para identificar e gerir as suas emoções com mais facilidade;
7 — Emoções são passageiras — lembre-se de que nenhum sentimento é eterno. Da mesma forma que as emoções surgem, elas desaparecem.
Saber identificar e gerir as emoções é fundamental para a nossa saúde emocional e para o nosso bem-estar. Compreendendo as emoções básicas e secundárias, estamos mais bem preparados para agir, adequando o nosso comportamento para uma vida mais equilibrada.
