Quais são as emoções básicas? Guia para compreender

Quais são as emoções básicas? Um guia para as compreender

Sara Paiva
Sara Paiva |  
Terapias |  18 fevereiro 2026 |  
9 min. de leitura
jovem rapariga expressa uma feição de nojo

As emoções fazem parte da nossa vida, sendo mesmo fundamentais para a experiência humana, uma vez que influenciam a forma como vivemos, interagimos e tomamos decisões. Assim, compreender as emoções básicas é o primeiro passo para conseguirmos ter uma vida mais equilibrada e consciente.

Em alguns momentos, é normal sentir que as emoções tomam o controlo da sua vida, como se agissem por conta própria, sem que possamos fazer nada em contrário. Contudo, é possível termos uma maior consciência do que sentimos se soubermos identificar as nossas emoções.

Aqui, vamos mostrar-lhe quais são as emoções básicas e como pode lidar com elas de forma saudável.

O que são emoções?

Emoções são reações do corpo e da mente, as quais surgem em resposta a um pensamento, acontecimento ou estímulo do ambiente. Ninguém experiencia as emoções da mesma forma, tão pouco as expressam de igual maneira. Cada pessoa é única no que sente, na forma como sente e como se expressa.

Embora cada pessoa seja singular na forma como vive e expressa as emoções, estas existem com um único intuito para todos — ajudar a reagir e a adaptar ao mundo e a situações que surjam.

Quantas emoções existem?

Não existe um consenso sobre o número de emoções que existem. Contudo, a maioria dos psicólogos concorda que existem algumas emoções básicas (ou centrais), as quais servem de base para todas as outras emoções.

Assim sendo, é importante olhar para os diferentes tipos de emoções, de modo que possamos avaliar cada uma delas.

Emoções primárias e secundárias

Existem dois grupos principais de emoções — as primárias (básicas) e as secundárias:

  • Emoções primárias — são as emoções inatas e universais, as quais são partilhadas por todas as culturas humanas. Elas funcionam como reações instintivas a estímulos. As emoções básicas, como são também chamadas, são fáceis de identificar. Exemplos: alegria, tristeza e medo;

  • Emoções secundárias — estas são emoções mais complexas e resultam da combinação das emoções básicas. Enquanto as emoções básicas são reações instintivas, as emoções secundárias são aprendidas ao longo da vida, através das nossas experiências pessoais e interações sociais. Exemplos: culpa, orgulho, ciúme.

Quais são as emoções básicas segundo a Psicologia?

quadro com várias fotos da mesma mulher a sentir emoções diferentes

Uma das teorias com grande influência neste tema foi desenvolvida pelo psicólogo Paul Ekman, na década de 1970. O autor identificou seis emoções básicas, universalmente reconhecidas em todas as culturas através das expressões faciais.

Emoção

Descrição e função adaptativa

Alegria

Estado emocional agradável, caracterizado por sentimentos de satisfação, contentamento e bem-estar. Esta emoção reforça aquilo que é importante para nós, motiva-nos e fortalece os laços sociais.

Tristeza

Embora desconfortável, a tristeza desempenha uma função importante, uma vez que ela nos leva a momentos de reflexão, nos ajuda a conectar connosco mesmos e nos sinaliza a necessidade de cuidado, atenção ou mudança.

Medo

O medo é ativado sempre que sentimos uma ameaça, preparando o corpo para lutar ou fugir, protegendo-nos (seja de danos físicos ou psicológicos). Assim, esta é uma emoção essencial à nossa sobrevivência.

Nojo (ou aversão)

Inicialmente, o nojo (ou aversão) surgiu como resposta a alimentos que poderiam ser nocivos à nossa saúde. Com a evolução, esta emoção também passou a manifestar-se como repulsa moral a comportamentos imorais ou errados.

Raiva

Esta emoção está associada a sentimentos de injustiça, desrespeito ou frustração. A raiva, embora tenha uma conotação negativa, pode ser construtiva, uma vez que nos motiva a defender os nossos valores, a superar obstáculos e a lutar por aquilo em que acreditamos.

Surpresa

A surpresa é uma reação breve a um acontecimento de que não estávamos à espera. Esta emoção existe para que consigamos focar a nossa atenção rapidamente, avaliando a situação e preparando-nos para uma resposta adequada.

Roda das emoções de Plutchik

O psicólogo Robert Plutchik, em 1980, desenvolveu também uma teoria interessante: “Roda das Emoções”. Para este autor, existem oito emoções básicas, as quais funcionam como blocos de construção para as emoções secundárias.

Além das seis emoções descritas por Ekman, Plutchik adiciona a confiança e a antecipação como emoções primárias.

roda das emocoes plutchik

Neste modelo, temos em atenção três fatores:

  • Intensidade — as emoções variam de intensidade à medida que nos aproximamos do centro da roda. Assim, podemos começar a sentir medo como apreensão (menos intenso) e ir escalando para terror (mais intenso);

  • Opostos — as emoções em lados opostos da roda são contrastantes, como a alegria e a tristeza;

  • Combinações — as emoções básicas adjacentes podem suavizar-se ou combinar-se, formando emoções secundárias mais complexas:

    • Alegria e confiança ► amor;

    • Alegria e antecipação ► otimismo;

    • Confiança e medo ► submissão;

    • Medo e surpresa ► alerta;

    • Surpresa e tristeza ► deceção;

    • Tristeza e nojo ► remorso;

    • Nojo e raiva ► desprezo;

    • Raiva e antecipação ► agressão;

    • Alegria e medo ► culpa;

    • Alegria e raiva ► orgulho;

    • Confiança e surpresa ► curiosidade;

    • Confiança e antecipação ► fatalismo;

    • Medo e tristeza ► desespero;

    • Surpresa e nojo ► descrença;

    • Tristeza e raiva ► inveja;

    • Desgosto e antecipação ► cinismo;

    • Alegria e surpresa ► encantamento;

    • Alegria e nojo ► morbidade;

    • Confiança e tristeza ► sentimentalismo;

    • Confiança e raiva ► dominação;

    • Medo e nojo ► vergonha;

    • Medo e antecipação ► ansiedade;

    • Surpresa e raiva ► indignação;

    • Tristeza e antecipação ► pessimismo.

7 Passos para uma melhor gestão emocional

Entendendo as emoções básicas e secundárias, conseguimos geri-las melhor para o nosso bem-estar. Não se trata, aqui, de reprimir o que sentimos, mas antes acolher e processar as nossas emoções e sentimentos de forma construtiva. Como?

1 — Observe o que está a sentir — escute as suas emoções e valide-as, sem fazer julgamentos. Deve permitir-se sentir;

2 — Não classifique as emoções — não existem emoções boas ou más, até porque todas elas têm uma função específica, mesmo as mais desconfortáveis. Tente perceber qual a mensagem que a emoção lhe está a passar;

3 — Analise a situação que está a gerar a emoção — perceba como está a interpretar a situação que despoletou a emoção e tente reavaliar a perspetiva, considerando pontos de vista diferentes;

4 — Tenha atenção aos sinais do seu corpo — o corpo também lhe dá sinais do que está a sentir. Identifique as sensações físicas que estão associadas à emoção, como suor, taquicardia, calafrios, entre outros. Percebendo estas sensações, vai ajudá-lo a criar uma maior consciência corporal;

5 — Dê nome ao que sente — nomear a emoção (tristeza, ansiedade, alegria, etc.) vai ajudar a clarificar a experiência e a reduzir a sua intensidade;

6 — Procure ajuda — se não conseguir identificar e/ou gerir as emoções, considere fazer psicoterapia. Esta oferece-lhe ferramentas e estratégias para identificar e gerir as suas emoções com mais facilidade;

7 — Emoções são passageiras — lembre-se de que nenhum sentimento é eterno. Da mesma forma que as emoções surgem, elas desaparecem.

Saber identificar e gerir as emoções é fundamental para a nossa saúde emocional e para o nosso bem-estar. Compreendendo as emoções básicas e secundárias, estamos mais bem preparados para agir, adequando o nosso comportamento para uma vida mais equilibrada.

Sara Paiva
Socióloga de formação, Copywriter de paixão. Sou uma apaixonada por literatura (e pelas artes em geral), o que me levou a seguir uma carreira na área da escrita. Desenvolvo conteúdos para o Toma Conta com o objetivo de ajudar os utilizadores a obterem a melhor informação possível.

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Nair dos Santos

Nair dos Santos

Technical SEO e Copywriter. Apaixonada por leitura e escrita, raramente me separo de um bom livro. Sensível ao modo como a Internet pode simplificar o quotidiano, escrevo no Toma Conta para ajudar os leitores a encontrar informação rigorosa e atualizada sobre serviços e tarefas de apoio ao domicílio.

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Susana Valente

Susana Valente

Escrevo conteúdos para a web há mais de 20 anos como jornalista e copywriter. Adoro explorar montes e vales por esse país fora. Detesto fazer mudanças e adoro correr à beira-mar. Tenho veia de poeta, sou mãe e uma verdadeira mulher dos sete ofícios!

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