Escaras em idosos: o que são, como tratar e como prevenir?

Escaras em idosos: o que são, como tratar e como prevenir?

Sara Paiva
Sara Paiva |  
Apoio domiciliário |  24 março 2026 |  
17 min. de leitura
enfermeira faz penso em escara na omoplata de idoso acamado

As escaras são comuns em pessoas idosas (principalmente aquelas com mobilidade reduzida) e pessoas acamadas, uma vez que a falta de movimento e o estar sempre na mesma posição aumenta o risco de desenvolver lesões cutâneas. Estas são muito dolorosas e preocupantes, especialmente em pessoas com uma idade mais avançada.

Se tem a seu cargo uma pessoa idosa ou acamada, é importante dar atenção especial a este tema, de modo que consiga prestar-lhe os cuidados mais adequados, garantindo-lhe conforto e qualidade de vida.

Aqui, vai encontrar informação clara sobre o que são escaras, quais os tipos que existem e também (o mais importante) como prevenir o aparecimento de escaras. Neste artigo encontra ainda orientações sobre como tratar escaras em idosos, promovendo uma rápida e segura cicatrização.

O que são escaras?

Escaras, ou úlceras de pressão ou úlceras de decúbito, são lesões cutâneas graves (além de surgirem na pele, afetam também os tecidos subjacentes). Elas surgem quando uma área específica do corpo sofre pressão constante, prolongada e excessiva (geralmente numa superfície rígida, como um colchão, uma cadeira de rodas ou um dispositivo médico) — por isso são tão comuns em idosos que ficam acamados.

A falta de movimento e a pressão contínua têm um efeito devastador no nosso corpo, pois o fluxo sanguíneo para a pele e para os tecidos moles é dificultado e/ou interrompido. Quando isso acontece, as células não recebem oxigénio e nutrientes que são essenciais, podendo mesmo levar à morte do tecido cutâneo (necrose).

Pessoas idosas são mais vulneráveis a este problema, não só pela falta de movimento, mas também porque, com o avançar da idade, a pele se torna mais fina, frágil, menos elástica, além de terem muito menos capacidade de regeneração celular.

Pessoas desta faixa etária também costumam ser mais vulneráveis a outras condições que agravam o problema, entre elas:

  • Desnutrição;

  • Diabetes;

  • Problemas de circulação sanguínea;

  • Incontinência;

  • Doenças neurológicas.

Escaras e necroses surgem rapidamente. Por isso, é fundamental que cuidadores (formais e informais) tenham especial atenção a qualquer vermelhidão que apareça na pele.

As escaras, ou úlceras de pressão, podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas elas são mais comuns em zonas em que os ossos estão mais próximos da pele e são mais proeminentes, como:

  • Calcanhares e tornozelos (frequentes em pessoas acamadas, pelo contacto constante com a cama);

  • Cóccix (fundo das costas) e quadris;

  • Omoplatas e ombros;

  • Joelhos e cotovelos;

  • Parte de trás da cabeça e orelhas.

Tipos de escaras

infográfico tipos de escaras

As escaras são definidas de acordo com o seu estágio, uma vez que o tratamento é diferente para cada um dos quatro estágios principais. A definição do estágio dá-se pela profundidade da escara e pelo grau de comprometimento dos tecidos cutâneos e subcutâneos.

Sendo assim, é importante perceber qual o estágio da escara para fazer o tratamento mais adequado.

Estágio I: fase inicial

As escaras de estágio I são as mais difíceis de perceber, pois a pele ainda está intacta e não há uma ferida aberta. Contudo, são as mais fáceis e rápidas de tratar.

Caracteriza-se por uma vermelhidão persistente (eritema) (em pessoas com tons de pele mais escuros, a escara de estágio I pode manifestar-se com tons azulados ou arroxeados), a qual não desaparece nem quando há alívio da pressão.

A área afetada geralmente está mais quente e sensível ao toque, podendo ser dolorosa ou apresentar uma textura diferente.

Aplicando medidas preventivas, neste estágio, geralmente consegue-se reverter o processo e evitar que a pele se rompa.

Estágio II: lesão superficial

Escaras de estágio II apresentam já perda parcial da espessura da pele (atinge a epiderme e, em alguns casos, a derme) e o risco de infeção aumenta consideravelmente. É agora uma ferida aberta, embora superficial. Apresenta um tom avermelhado ou rosado e tem aspeto húmido.

Em alguns casos, as escaras de estágio II assumem a forma de uma bolha, com líquido claro, ou ainda de uma bolha rebentada. O paciente apresenta dor mais intensa neste estágio.

É importante que se façam cuidados de higiene e curativos específicos para que a escara não evolua.

Estágio III: dano profundo

A escara de estágio III apresenta perda total de tecido, o que significa que a ferida é mais profunda (quase como uma cratera na pele), podendo ver-se a camada de gordura subcutânea (hipoderme).

É frequente haver presença de tecido morto (esfacelo), o qual tem uma cor amarelada, esverdeada ou acinzentada).

É urgente uma intervenção médica especializada, uma vez que, neste estágio, a cicatrização da escara é muito complexa e há um risco muito alto de complicações sistémicas.

Estágio IV: gravidade extrema

Uma escara no estágio IV é alarmante e de muito difícil resolução. Há uma extensa e muito profunda perda de tecido. Neste estágio, já se percebe uma exposição direta e visível de tendões, músculos, ligamentos, cartilagens e, em alguns casos, ossos.

Neste caso, é frequente a ferida apresentar também uma grande quantidade de tecido necrosado, podendo formar cavidades ou túneis sob pele aparentemente intacta nas bordas da lesão.

Há um risco muito elevado de complicações extremamente graves, como osteomielite (infeção óssea) e sepse (infeção generalizada no sangue).

Escara no estágio IV é considerada emergência médica, a qual requer tratamento intensivo e, muitas vezes, em ambiente hospitalar.

Como tratar escaras em idosos?

O tratamento de escaras em idosos deve ser feito o mais rápido possível, pois o tempo é um fator crucial. Assim, o cuidador deve aliviar a pressão que causou a ferida, limpar e tratar o leito da lesão, controlar a dor do paciente e prevenir/combater infeções.

Como dissemos, o tratamento difere de acordo com o estágio da lesão, mas também deve ter em consideração o estado de saúde geral do idoso e as doenças preexistentes.

É obrigatória uma avaliação rigorosa de qualquer escara em idosos por um médico ou enfermeiro especialista em feridas.

Como tratar escaras nos estágios iniciais?

Para lesões de estágio I e II, o protocolo geral é proteger a pele, evitar a progressão da escara e promover a regeneração celular natural.

Estes procedimentos-padrão devem ser feitos, sempre, sob orientação médica.

  • Alívio imediato da pressão: mude a posição do idoso frequentemente (pelo menos a cada 2 horas se estiver na cama, e a cada hora se estiver numa cadeira). Este é um passo essencial para restabelecer a circulação sanguínea na área afetada. Mesmo com curativos feitos exemplarmente, se não aliviar a pressão, não terá melhoria;

  • Higiene adequada: limpe a área afetada com soro fisiológico de forma cuidadosa. Não use sabões agressivos, álcool ou água oxigenada, uma vez que estes produtos destroem as células novas (responsáveis por cicatrizar a ferida). Seque a pele com toques suaves, usando compressas esterilizadas. Nunca esfregue para secar;

  • Hidratação: mantenha a pele em volta da escara bem hidratada, de modo que mantenha elasticidade e resistência. Use cremes específicos, recomendados pelo profissional de saúde. Nunca aplique cremes diretamente numa ferida aberta;

  • Curativos adequados: use pensos específicos para feridas abertas (como hidrocoloides, por exemplo), evitando o contacto com sujidade e bactérias e mantendo o ambiente húmido (favorável à cicatrização).

Como curar escaras graves?

Curar escaras graves (de estágio III e IV) é um processo lento, complexo e vai exigir acompanhamento médico rigoroso e contínuo. O tratamento pode incluir:

  • Desbridamento: remover o tecido necrosado ou infetado do leito da ferida, pois este impede a cicatrização. A remoção pode ser feita de forma cirúrgica (usando bisturi), mecânica, enzimática (com recurso a pomadas para o efeito) ou autolítica. Este procedimento só deve ser feito por profissionais de saúde;

  • Curativos avançados de alta tecnologia: usar pensos com tecnologias específicas para feridas complexas, como curativos com alginato de prata, espumas de poliuretano de alta absorção, terapias por pressão negativa, entre outras;

  • Antibióticos: o médico prescreve antibióticos tópicos, orais ou intravenosos quando há sinais claros de infeção (cheiro intenso, febre, pus, vermelhidão crescente);

  • Cirurgia reconstrutiva: quando a ferida é muito extensa e quando não responde aos tratamentos conservadores, pode ser feita uma intervenção cirúrgica reconstrutiva para limpar e fechar a ferida.

Como curar escaras rapidamente em idosos?

Sabemos que cuidadores e familiares de idosos ficam angustiados perante escaras e querem resolver o problema rapidamente. No entanto, é importante ficar ciente de que não há uma cura milagrosa. A cicatrização é um processo lento, podendo demorar semanas, meses e, em alguns casos, anos.

Para ajudar a cicatrização e acelerar a recuperação, deve olhar para o idoso como um todo, não olhando somente para a ferida. Assim, além do tratamento da ferida, deve fornecer:

  • Suporte nutricional intensivo — uma dieta rica em proteínas favorece a construção de novos tecidos, mas deve também investir no reforço de vitaminas C e A e de minerais, como o zinco e o ferro, pois favorecem a regeneração celular;

  • Hidratação adequada — a hidratação da pele começa de dentro para fora. Por isso, é importante que o idoso beba água suficiente ao longo do dia;

  • Controlo de doenças — mantenha os níveis de açúcar no sangue controlados, garanta uma boa oxigenação e pressão arterial.

Como tratar escaras em idosos acamados?

O tratamento de escaras em idosos acamados não é fácil, uma vez que os pacientes têm uma extrema dificuldade de mobilidade.

É útil que cuidadores tenham superfícies de apoio especializadas. Ter equipamentos próprios para pessoas acamadas, como colchões antiescaras, é também obrigatório, pois ajudam a distribuir o peso do corpo, minimizando a pressão constante nos mesmos pontos críticos.

Colchão antiescaras: o que é e como funciona?

O colchão antiescaras é um equipamento médico especializado, usado sobre a cama, para distribuir o peso do corpo do paciente de forma uniforme.

O colchão tradicional exerce uma pressão constante sobre as proeminências ósseas, favorecendo o aparecimento de escaras. Já este equipamento médico alivia essa pressão, permitindo que o sangue circule bem e, assim, prevenindo escaras.

Existem dois tipos de colchão antiescaras:

  • Espuma de poliuretano de alta densidade (estáticos) — a espuma é cortada em blocos independentes, os quais se adaptam à morfologia do corpo. Este colchão reduz a fricção e ajuda a manter a pele mais ventilada. O uso deste tipo de colchão é indicado para pessoas com risco baixo a moderado de desenvolver escaras;

  • Ar com compressor (dinâmicos ou pneumáticos) — o colchão é composto por dezenas de tubos de ar interligados que vão enchendo e esvaziando partes do colchão de forma alternada (24 horas por dia). O movimento permite alterar constantemente os pontos de pressão no corpo, simulando mudança de posição. Por isso, este tipo de colchão é recomendado para pacientes com risco alto de desenvolver escaras, assim como para pacientes que já tenham escaras.

Independentemente do tipo de colchão antiescaras que usar, saiba que qualquer um deles proporciona conforto ao paciente, além de facilitar o trabalho do cuidador.

O colchão antiescaras não substitui a necessidade de mudar a posição do paciente regularmente.

Prevenção de escaras: como atuar?

Atuar na prevenção de escaras é a melhor abordagem. Vale ressaltar que o tratamento de uma úlcera de pressão é doloroso e desgastante, tanto para o paciente como para a família. Por isso, evitar o aparecimento das escaras é fundamental e prioridade.

Assim, deve adotar as seguintes estratégias preventivas:

  • Mudar de posição regularmente — deve mudar a posição do paciente acamado a cada 2 ou 3 horas, alternando entre as posições de lado direito, de lado esquerdo e de barriga para cima. Caso o paciente fique muito tempo em cadeira de rodas, deve haver uma mudança mais frequente (a cada 15 a 30 minutos) — ensine o paciente a fazer pequenos movimentos na cadeira (se este tiver autonomia para isso);

  • Avaliar a saúde da pele — deve avaliar a saúde da pele do paciente todos os dias (pode fazê-lo durante o banho ou na troca de fralda). Preste especial atenção às zonas de maior risco, como calcanhares, cotovelos, omoplatas e cóccix. Procure por vermelhidão, inchaço, bolhas ou alterações na temperatura da pele;

  • Higienizar e hidratar a pele — a pele do paciente deve estar sempre limpa e seca, uma vez que suor, urina e fezes são muito prejudiciais. Dê banho ao paciente diariamente com água tépida e sabão neutro e depois seque com cuidado (não esfregue com a toalha). Finalize com creme hidratante de boa qualidade;

  • Trocar a fralda constantemente — se o paciente sofre de incontinência, ou se é incapaz de usar a casa de banho, deve ter muita atenção ao estado da fralda. A humidade em excesso enfraquece muito rápido a pele e, por isso, a fralda deve ser trocada com bastante frequência. Aplique cremes de barreira (à base de óxido de zinco) para proteger a pele;

  • Usar equipamentos de alívio de pressão — além do colchão antiescaras, do qual já falámos, deve investir em: almofadas de gel adequadas para cadeira de rodas, posicionadores (rolos de espuma) para ter entre os joelhos e os tornozelos e evitar a fricção dos ossos, almofada macia para posicionar sob a barriga da perna (de forma que os calcanhares não toquem no colchão);

  • Garantir uma alimentação equilibrada e boa hidratação — a saúde da pele vem de dentro e, por isso, é importante que o paciente tenha uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, minerais e proteína de boa qualidade. Além disso, ofereça constantemente água, chás ou gelatinas, mesmo que o paciente não sinta sede;

  • Ter cuidado ao movimentar o paciente — sempre que movimentar o paciente, evite puxá-lo ou arrastá-lo, pois a fricção da pele nos lençóis pode criar lesão por cisalhamento. Utilize um lençol dobrado sob o tronco do paciente (lençol de tração) para ser mais fácil e seguro levantá-lo e movê-lo.

Cuidar de um paciente acamado ou com mobilidade reduzida não é fácil e, acima de tudo, é um ato que exige muita dedicação, paciência e atenção. As escaras são um problema de saúde complexo, o qual deve ser tratado com cautela.

Se perceber alterações na pele, mesmo que pequenas, deve procurar aconselhamento médico imediato, pois pode estar a lidar com o surgimento de uma escara de estágio I. Adote todas as medidas preventivas e esteja sempre vigilante.

Sara Paiva
Socióloga de formação, Copywriter de paixão. Sou uma apaixonada por literatura (e pelas artes em geral), o que me levou a seguir uma carreira na área da escrita. Desenvolvo conteúdos para o Toma Conta com o objetivo de ajudar os utilizadores a obterem a melhor informação possível.

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Technical SEO e Copywriter. Apaixonada por leitura e escrita, raramente me separo de um bom livro. Sensível ao modo como a Internet pode simplificar o quotidiano, escrevo no Toma Conta para ajudar os leitores a encontrar informação rigorosa e atualizada sobre serviços e tarefas de apoio ao domicílio.

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Susana Valente

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Escrevo conteúdos para a web há mais de 20 anos como jornalista e copywriter. Adoro explorar montes e vales por esse país fora. Detesto fazer mudanças e adoro correr à beira-mar. Tenho veia de poeta, sou mãe e uma verdadeira mulher dos sete ofícios!

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