
Ensinar não se resume a dar uma mesma explicação vezes sem conta até que todos os alunos entendam. Ensinar é, na verdade, observar, experimentar e encontrar diferentes estratégias para que todos os alunos consigam aprender. Os estilos de aprendizagem podem ajudar professores e explicadores a encontrar formas eficazes para que o conteúdo seja recebido e aprendido mais facilmente.
Cada aluno é único, cada um aprende de uma forma diferente, cada um processa a informação de forma distinta. Enquanto alguns aprendem melhor escutando, outros processam melhor a informação olhando, outros fazendo e outros lendo ou escrevendo.
Professores e explicadores devem ter sensibilidade para perceber estas diferenças, ajustando o seu método de ensino para que todos os alunos possam assimilar a informação que lhes é passada.
Sendo assim, aulas com metodologias diversas têm melhores resultados, uma vez que chega a todos os alunos, dando-lhes oportunidade de aprender, sem excluir ninguém, melhorando o seu aproveitamento escolar.
Aqui, vamos mostrar-lhe os principais estilos de aprendizagem, assim como estratégias simples para que as suas aulas sejam mais inclusivas e envolventes.
Que são estilos de aprendizagem?
Estilos de aprendizagem são as preferências que cada pessoa pode demonstrar ao receber, organizar e reter informação.
Como vimos, alguns alunos recebem melhor a informação através de imagens, enquanto outros preferem ouvir uma explicação, outros aprendem melhor ao tirar as próprias notas, há quem assimile melhor conceitos discutindo ideias, e há quem aprenda melhor experimentando uma solução na prática.
Um estilo de aprendizagem é uma preferência, não uma capacidade fixa. Se o aluno gosta de aprender com imagens, não quer isto dizer que não consiga aprender lendo ou praticando.
O estilo de aprendizagem pode também variar dependendo do conteúdo. Por exemplo, um aluno pode preferir esquemas visuais para a disciplina de história, ao passo que beneficia mais de exercícios práticos em matemática.
Além disso, muitos alunos favorecem-se combinando várias modalidades de aprendizagem. Por essa razão, professores e explicadores devem munir-se de estratégias distintas para ensinar os seus conteúdos.
Lembre-se de que estes modelos servem para ampliar o seu repertório pedagógico, não para limitar as possibilidades de cada aluno.
Modelo VARK: quatro estilos de aprendizagem mais conhecidos
O modelo VARK estrutura as preferências de aprendizagem em quatro modalidades: visual, auditiva, leitura/escrita e cinestésica.

Vejamos cada um destes estilos de aprendizagem detalhadamente:
Aprendizagem visual
Os alunos com preferência visual compreendem melhor a matéria quando conseguem ver a organização da informação, como através de um diagrama, mapa mental, linha do tempo, entre outros conteúdos visuais.
Na aula, experimente:
Mapas mentais, mapas de conceitos e diagramas — ajudam a mostrar como um conceito se liga a outros;
Esquemas — revelam hierarquias bem definidas;
Linhas do tempo — ajudam a ordenar acontecimentos;
Gráficos e imagens — permitem que o aluno organize a informação de forma visual;
Vídeos com legendas — conteúdos apelativos;
Palavras-chave destacadas — enfatizam os conceitos mais importantes.
Evite ter muitos elementos decorativos. O objetivo é que o conteúdo seja compreendido mais facilmente, não ficar mais bonito.
Aprendizagem auditiva
Alunos com preferência auditiva aprendem melhor a matéria ouvindo uma explicação bem estruturada, debatendo e conversando sobre o assunto.
Na aula, inclua:
Explicações curtas, deixando espaço para que os alunos possam fazer perguntas;
Leitura em voz alta de conceitos;
Debates em pares ou grupos pequenos;
Repetição oral de definições e palavras-chave;
Gravações de resumos para que os alunos possam rever mais tarde.
Questione os alunos. Uma boa pergunta pode ser mais valiosa do que uma boa explicação. Incentive os estudantes a explicarem o conteúdo pelas suas próprias palavras.
Aprendizagem através da leitura e da escrita
Muitos alunos estruturam as suas ideias lendo e escrevendo. Para aqueles que têm preferência pela leitura e escrita, estas atividades ajudam a comparar informação, assimilar conceitos e construir um registo pessoal da aula. Fazer uma lista, um resumo, ou escrever uma resposta é para eles uma forma de pensar.
Na aula, experimente estas estratégias:
Dar instruções claras por escrito;
Criar glossários com o vocabulário essencial;
Pedir aos alunos que resumam um conceito em poucas frases;
Dar fichas de perguntas;
Pedir um diário de aprendizagem no final da aula.
Ofereça instruções de qualidade. Tarefas com várias etapas devem estar organizadas e, se possível, acompanhadas por um exemplo.
Aprendizagem cinestésica
Alunos com preferência cinestésica precisam de pôr em prática, experimentar, para perceber e assimilar informação.
Por exemplo, um problema matemático é mais facilmente compreendido quando aplicado a uma situação concreta.
Para estes alunos, é mais fácil memorizarem um conceito de ciências quando este é observado. Também lhes é mais fácil aprender uma língua através de uma simulação de diálogo.
Na aula, inclua:
Demonstrações e experiências;
Simulações e dramatizações;
Jogos pedagógicos;
Resoluções de problemas reais;
Manipulação de materiais e modelos.
Crie momentos em que os alunos possam aplicar e testar as informações que passou.
Como aplicar estas estratégias nas aulas?
Como dissemos, um aluno ter preferência visual não significa que não aprenda ouvindo, escrevendo ou fazendo. Assim, ao preparar a aula, deve diversificar os materiais de estudo durante as aulas.
Vejamos um exemplo prático:
Precisa de ensinar percentagens aos seus alunos. Pode:
1 — Começar pelo contexto — mais do que ensinar um conceito, importa que os alunos entendam a sua utilidade no dia a dia. Assim, apresente uma situação real, como um desconto numa loja ou a análise de uma fatura;
2 — Mostrar uma representação visual — use uma tabela, um esquema simples ou uma barra dividida em partes para que os estudantes tenham uma representação visual do tema;
3 — Explicar o procedimento — apresente todos os passos para a resolução das percentagens com uma linguagem clara e registe-os por escrito;
4 — Propor aplicação prática — crie um problema e deixe que os alunos resolvam;
5 — Pedir aos alunos que verbalizem o raciocínio — pergunte como chegaram ao resultado e incentive-os a explicarem cada etapa;
6 — Reservar um momento para reflexão — pergunte-lhes onde sentiram dificuldades, o que compreenderam e que regra podem usar em outros problemas.
Seguindo esta sequência, incluiu todos os estilos de aprendizagem, garantindo que todos os seus alunos tiveram oportunidade de assimilar a informação nova.
Conheça também: Metodologias de aprendizagem: quais são e qual a mais indicada?
Como identificar as necessidades de cada aluno?
Cada aluno apresenta necessidades distintas, e o professor/explicador deve tê-las em conta para assegurar que nenhum estudante é deixado para trás. Deve, portanto, observar continuamente, reparar na forma como reage a diferentes tarefas:
Fazendo perguntas breves sobre as estratégias que ele considera mais úteis;
Oferecendo tarefas diferentes, para ver onde tem maior autonomia;
Tendo conversas sobre dificuldades sentidas e objetivos;
Dando pequenos momentos de autoavaliação;
Comparando desempenho em tarefas diferentes.
Lembre-se de que existem fatores alheios ao estilo de aprendizagem que podem interferir no desempenho escolar, como fadiga, ansiedade, desconforto, fome, entre outros.
Para ser bom professor, é importante combinar métodos, acompanhar o progresso e respeitar o ritmo de cada aluno. Uma dificuldade não define o potencial de um estudante — o professor deve, sempre, oferecer diferentes formas de ver, ouvir, ler, discutir, experimentar, de modo que o aluno entenda a informação.
