Quais são os graus de obesidade e como tratar?

Quais são os graus de obesidade e como tratar?

Susana Valente
Personal Training |  02 junho 2026 |  
10 min. de leitura
Homem obeso sentado a uma mesa, a comer fast food, enquanto pensa nos graus de obesidade.

A obesidade é uma das condições de saúde mais discutidas mundialmente – e não é por acaso, pois afeta milhões de pessoas, o que já levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificá-la como uma epidemia global. Trata-se de uma doença crónica, progressiva e multifatorial.

Portugal não escapa a essa realidade, tendo quase metade da população com excesso de peso.

O pior é que a obesidade está associada a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, diabetes, problemas articulares, alterações hormonais e até tem impactos psicológicos profundos.

Para compreender verdadeiramente o problema, é essencial conhecer os graus de obesidade, como se classificam através do IMC, os tipos que existem e quais os tratamentos mais eficazes.

Graus de obesidade: como se classificam?

A obesidade é definida como o acumular excessivo de gordura corporal, resultante de um desequilíbrio entre a energia ingerida e a energia gasta.

Mas reduzir o problema a “comer demais” é simplista e injusto. A ciência mostra que a obesidade resulta de uma combinação de fatores:

  • Genéticos: metabolismo mais lento, predisposição familiar;

  • Hormonais: alterações da tiroide, resistência à insulina, menopausa;

  • Psicológicos: ansiedade, compulsão alimentar, depressão;

  • Ambientais e sociais: sedentarismo, alimentação ultraprocessada, stress;

  • Estilo de vida: falta de atividade física, padrões de sono irregulares.

A classificação baseada no Índice de Massa Corporal (IMC) é uma das formas mais utilizadas para avaliar o risco associado ao excesso de peso, permitindo identificar se estamos perante uma obesidade leve, moderada ou grave.

Este é um cálculo simples que relaciona o peso e a altura. O IMC obtém-se dividindo o peso pela altura multiplicada por ela própria.

Exemplo de cálculo do IMC para pessoa que pesa 80 quilos e mede 1,70 metros:

Passo 1: Multiplique altura por altura (1,70 x 1,70 = 2,89).

Passo 2: Divida os 80 quilos pelo valor obtido com a multiplicação (80 / 2,89 = 27,68).

O número final obtido (27,68) é o IMC.

Embora não seja perfeita, nomeadamente por não distinguir massa gorda de massa muscular, esta fórmula é um indicador útil para avaliar riscos de saúde associados ao excesso de peso.

Classificação dos graus de obesidade IMC

Embora não substitua métodos mais precisos de análise corporal, o IMC permite dividir a população em diferentes categorias de risco, facilitando o diagnóstico, o acompanhamento e a definição de um plano de intervenção.

Assim, a classificação dos graus de obesidade baseados no IMC é uma ferramenta essencial na prática clínica e na orientação de intervenções multidisciplinares.

A tabela seguinte apresenta a classificação internacionalmente adotada para os graus de obesidade segundo o IMC, permitindo uma leitura rápida e objetiva do estado de cada pessoa.

Infográfico com a classificação dos graus de obesidade IMC.

➤ Obesidade Grau 1: o primeiro sinal de alerta

A obesidade grau 1 é, muitas vezes, silenciosa. A pessoa pode não sentir sintomas graves, mas já existe risco aumentado de:

  • Hipertensão;

  • Diabetes tipo 2;

  • Colesterol elevado;

  • Dores articulares;

  • Fadiga constante.

Nesta fase, mudanças no estilo de vida têm um impacto enorme. Com acompanhamento nutricional, atividade física regular e apoio psicológico pode reverter-se totalmente o quadro.

➤ Obesidade Grau 2: quando o risco aumenta

A obesidade grau 2 já representa um risco significativo para a saúde. Os sintomas tornam-se mais evidentes com:

  • Dificuldade em caminhar ou subir escadas;

  • Dores nas articulações;

  • Apneia do sono;

  • Maior probabilidade de AVC e doenças cardíacas.

Nesta fase, o tratamento deve ser multidisciplinar e pode incluir:

  • Plano alimentar estruturado;

  • Exercício físico orientado;

  • Medicação para perda de peso;

  • Avaliação para cirurgia bariátrica (dependendo do caso).

➤ Obesidade Grau 3: a obesidade mórbida

A obesidade mórbida, ou de grau 3, é o nível mais grave. O risco de complicações é muito elevado e pode envolver:

  • Insuficiência cardíaca;

  • Diabetes avançada;

  • Problemas respiratórios;

  • Doenças hepáticas;

  • Risco aumentado de morte súbita.

O tratamento exige acompanhamento médico rigoroso e, muitas vezes, cirurgia bariátrica, que reduz o tamanho do estômago ou desvia parte do intestino para ajudar na perda de peso.

Contudo, mesmo nestes casos, a mudança de hábitos continua a ser essencial para manter os resultados.

Tipos de obesidade: não é tudo igual

Além dos graus de obesidade, existem também tipos de obesidade diferentes e que estão relacionados com a distribuição da gordura corporal.

➤ Obesidade Androide (abdominal)

A gordura abdominal é aquela que se concentra na barriga e no tronco. É mais comum em homens e está associada a um maior risco cardiovascular.

➤ Obesidade Ginoide (periférica)

Esta é a gordura acumulada nas coxas, ancas e glúteos, e é mais comum em mulheres.

Apresenta menor risco cardíaco, mas maior risco de varizes e artroses.

➤ Obesidade homogénea

Esta é a gordura distribuída, de forma uniforme, pelo corpo.

A distribuição da gordura é tão importante quanto o IMC, porque influencia diretamente o risco de doenças.

Consequências da obesidade: o que está realmente em risco?

A obesidade não é apenas uma questão estética: é um problema de saúde pública. Entre as principais complicações que lhe estão associadas, encontramos:

  • Diabetes tipo 2;

  • Hipertensão;

  • Colesterol elevado;

  • Doenças cardiovasculares;

  • Apneia do sono;

  • Infertilidade;

  • Problemas articulares;

  • Doenças hepáticas;

  • Alguns tipos de cancro;

  • Ansiedade e depressão.

A qualidade de vida diminui drasticamente quando o peso interfere com a mobilidade, a respiração, a autoestima e o bem-estar emocional.

Como tratar a obesidade?

O tratamento da obesidade deve ser progressivo, acompanhado por profissionais e adaptado às características e circunstâncias de cada pessoa.

Não existe uma fórmula única. Há um conjunto de estratégias que funcionam melhor quando são combinadas. Eis cinco soluções possíveis e eficazes:

Infográfico com 5 soluções para tratar vários tipos de obesidade.

➤ 1. Alimentação saudável e sustentável

A reeducação alimentar é uma das melhores estratégias para combater os graus de obesidade mais moderados.

Mas é preciso sublinhar que dietas restritivas e “milagrosas” não funcionam a longo prazo.

Então, o ideal é:

  • Priorizar alimentos naturais;

  • Reduzir açúcar e gorduras saturadas;

  • Aumentar fibras, vegetais e proteína magra;

  • Comer a cada 3-4 horas;

  • Evitar comida ultraprocessada.

➤ 2. Exercício físico regular

A atividade física é essencial para:

  • Aumentar o gasto calórico;

  • Melhorar a mobilidade;

  • Reduzir a gordura visceral;

  • Fortalecer músculos e articulações;

  • Melhorar humor e energia.

Para quem está em obesidade grau 1 ou 2, o acompanhamento profissional de um personal trainer pode ser o fator decisivo entre desistir ou transformar a vida.

Mesmo em obesidade mórbida, o exercício orientado é fundamental antes e depois da cirurgia bariátrica.

Um profissional desta área pode adaptar o treino ao grau de obesidade, até para evitar lesões e aumentar a motivação, criando rotinas realistas e eficazes para acelerar resultados de forma segura.

➤ 3. Medicação para perda de peso

Existem medicamentos aprovados que ajudam a controlar o apetite, a melhorar o metabolismo e a reduzir a absorção de gordura.

Contudo, nunca deve automedicar-se, nem recorrer a medicamentos comprados online sem o devido acompanhamento médico.

Qualquer medicação que decida tomar deve sempre ser prescrita por um endocrinologista, ou outro profissional médico.

➤ 4. Psicoterapia

A relação emocional com a comida é, muitas vezes, o maior obstáculo para a perda de peso. A terapia ajuda a:

  • Controlar compulsões;

  • Gerir a ansiedade;

  • Melhorar a autoestima;

  • Criar hábitos duradouros.

➤ 5. Cirurgia bariátrica

Este tipo de cirurgia não é indicado para todos os graus de obesidade. É recomendado, apenas, para tratamento da obesidade mórbida, ou de grau 3, e da obesidade de grau 2 com doenças associadas.

Mas também pode ser realizado em casos em que outros tratamentos falharam.

É também fundamental sublinhar que a cirurgia bariátrica é eficaz, mas exige acompanhamento contínuo e mudança de estilo de vida para que os resultados se mantenham.

Como prevenir a obesidade?

Como diz o famoso ditado popular, mais vale prevenir do que remediar! Então, o melhor é mesmo tentar evitar que a obesidade se instale e afete a qualidade de vida.

Para isso, devem-se seguir alguns bons hábitos diários, como:

Pequenas mudanças diárias têm um impacto enorme a longo prazo.

Compreender os graus de obesidade ajuda a recuperar a saúde

A obesidade é uma doença séria, mas pode ser prevenida e tratada. Conhecer os graus e os tipos de obesidade permite identificar riscos e agir de forma precoce.

Manter uma boa alimentação e apoio psicológico, e ter acompanhamento médico regular são estratégias fundamentais.

Praticar exercício físico orientado, com a ajuda de profissionais como um Personal Trainer, pode ser o elemento transformador, ajustando planos de treino aos graus de obesidade para um processo mais seguro, motivador e eficaz.

Escrevo conteúdos para a web há mais de 20 anos como jornalista e copywriter. Adoro explorar montes e vales por esse país fora. Detesto fazer mudanças e adoro correr à beira-mar. Tenho veia de poeta, sou mãe e uma verdadeira mulher dos sete ofícios!

Mais autores do Blog

Nair dos Santos

Nair dos Santos

Technical SEO e Copywriter. Apaixonada por leitura e escrita, raramente me separo de um bom livro. Sensível ao modo como a Internet pode simplificar o quotidiano, escrevo no Toma Conta para ajudar os leitores a encontrar informação rigorosa e atualizada sobre serviços e tarefas de apoio ao domicílio.

Ver artigos
Sara Paiva

Sara Paiva

Socióloga de formação, Copywriter de paixão. Sou uma apaixonada por literatura (e pelas artes em geral), o que me levou a seguir uma carreira na área da escrita. Desenvolvo conteúdos para o Toma Conta com o objetivo de ajudar os utilizadores a obterem a melhor informação possível.

Ver artigos

Deixe o seu comentário