O que é o jejum intermitente e como fazer corretamente?

O que é o jejum intermitente e como fazer corretamente?

Susana Valente
Personal Training |  18 agosto 2026 |  
14 min. de leitura
Relógio despertador sobre uma mesa com grãos de café castanhos e uma chávena em tons azulados com café a representar o que é o jejum intermitente.

O jejum intermitente tornou‑se uma das estratégias de alimentação mais populares dos últimos anos, tanto para emagrecer, como para melhorar a saúde metabólica e reduzir a inflamação.

Mas, apesar da popularidade, ainda existem dúvidas importantes sobre o que é o jejum intermitente, como funciona, se faz mal e qual é o melhor plano para começar.

Neste artigo, reunimos informação validada por nutricionistas para lhe oferecer o conteúdo mais completo e atualizado sobre o tema.

O que é o jejum intermitente?

Fazer jejum intermitente não é como fazer dieta tradicional, já que não lhe diz o que comer, mas sim quando comer.

Trata‑se, então, de um padrão alimentar que alterna períodos de ingestão de alimentos com períodos de jejum, nos quais só são permitidos líquidos sem calorias (por exemplo: água, chá sem açúcar e café puro).

Os planos mais comuns de jejum intermitente incluem:

  • Jejum de 16h-8h: 16 horas de jejum + 8 horas de alimentação;

  • Jejum 5:2: 5 dias de alimentação normal + 2 dias de restrição calórica acentuada;

  • Jejum de 12h horas: versão mais suave que é ideal para iniciantes;

  • OMAD (One Meal A Day): apenas uma refeição por dia (só para praticantes avançados).

O método mais popular em Portugal é o jejum intermitente de 16 horas, pela sua simplicidade e boa adaptação à rotina.

Como funciona o jejum intermitente?

Durante o jejum, o corpo passa por uma sequência de adaptações metabólicas bem estudadas, nomeadamente:

  1. Esgotamento do glicogénio (8–12h sem comer) - O corpo usa a glicose armazenada no fígado;

  2. Mudança de combustível (12–16h) - Começa a mobilizar gordura como fonte de energia num processo chamado “lipólise”;

  3. Produção de corpos cetónicos - O fígado transforma gordura em cetonas, que alimentam o cérebro e outros órgãos;

  4. Autofagia (a partir de 14–16h) – Processo natural de “reciclagem celular” – descoberta do biólogo japonês Yoshinori Ohsumi, que foi premiada com o Nobel da Medicina em 2016. É um dos benefícios mais estudados do jejum;

  5. Alterações hormonais – A insulina baixa, a hormona de crescimento aumenta e o corpo entra num estado metabólico favorável à perda de gordura.

5 Benefícios do jejum intermitente

A ciência mostra que o jejum intermitente pode trazer vários benefícios, desde que seja bem orientado e adaptado à rotina de cada pessoa.

Eis os principais benefícios:

Infográfico com fundo claro mostrando uma pessoa à mesa e o título “Benefícios do Jejum Intermitente” com 5 vantagens: ajuda a emagrecer, melhora sensibilidade à insulina, reduz a inflamação, melhora saúde cardiovascular e permite maior disciplina aliment

➤ 1. Ajuda a emagrecer

Estudos mostram que o jejum intermitente funciona para emagrecer, com perdas médias de 3,7 kg em 12 semanas, em adultos com excesso de peso.

Este resultado acontece por uma razão simples: as pessoas acabam por consumir menos calorias ao longo do dia.

O jejum intermitente não emagrece por ser “mágico”, mas porque reduz o período em que é possível comer, o que facilita o controlo das porções e diminui o número de refeições espontâneas ou “petiscos”.

Contudo, quando se compara o jejum intermitente com uma dieta tradicional com restrição calórica bem estruturada, os resultados são muito semelhantes. No final de contas, o que importa é o défice calórico total.

➤ 2. Melhora a sensibilidade à insulina

O jejum intermitente contribui para melhorar a sensibilidade à insulina, reduzindo os níveis circulantes desta hormona ao longo do dia.

Com menos picos de insulina, o organismo torna‑se mais eficiente a regular a glicemia, favorecendo o equilíbrio metabólico.

Este efeito é especialmente relevante para prevenir a resistência à insulina, otimizar o metabolismo da glucose e apoiar a saúde cardiometabólica.

➤ 3. Reduz a inflamação

A prática do jejum intermitente ativa mecanismos celulares como a autofagia, um processo de “limpeza interna” que remove componentes danificados e acelera a renovação das células.

Ao reduzir o stress oxidativo e eliminar estruturas celulares disfuncionais, a autofagia contribui para diminuir processos inflamatórios crónicos que estão na base de várias doenças metabólicas.

Este efeito anti-inflamatório é muito importante para a saúde cardiovascular, controlo metabólico e prevenção de patologias associadas à inflamação de baixo grau.

➤ 4. Melhora a saúde cardiovascular

O jejum intermitente tem mostrado impacto positivo em vários marcadores de saúde cardiovascular, sobretudo em adultos com excesso de peso ou síndrome metabólica.

Ensaios clínicos revelam reduções consistentes no colesterol LDL, nos triglicerídeos e na pressão arterial, resultados associados à diminuição da inflamação e à perda de gordura visceral.

Quando integrado num estilo de vida equilibrado, o jejum intermitente pode contribuir para um perfil cardiometabólico mais saudável, ajudando a reduzir o risco de doenças cardiovasculares a médio e longo prazo.

➤ 5. Permite maior disciplina e organização alimentar

Para muitas pessoas, o jejum intermitente funciona como uma ferramenta de organização alimentar, porque reduz o número de horas disponíveis para comer e, logo, diminui a probabilidade de ingerir calorias de forma impulsiva.

Ao concentrar as refeições numa janela definida, torna‑se mais fácil controlar porções, estruturar menus equilibrados e evitar “petiscos” ao longo do dia, especialmente os que se consomem por hábito, stress ou tédio.

Com mais disciplina, é possível criar rotinas consistentes, melhorar a perceção de fome e saciedade, e tudo isso ajuda a fazer escolhas alimentares mais conscientes e alinhadas com objetivos de saúde ou emagrecimento.

Jejum intermitente faz mal? Riscos e contraindicações

Apesar de seguro para a maioria dos adultos saudáveis, o jejum intermitente não é indicado para todas as pessoas.

➤ Quem deve evitar:

  • Gestantes e lactantes;

  • Crianças e adolescentes;

  • Diabéticos que usam insulina;

  • Pessoas com histórico de transtornos alimentares;

  • Atletas de alta performance;

  • Pessoas com baixo peso ou fragilidade clínica.

➤ Possíveis efeitos secundários:

  • Fome intensa nos primeiros dias;

  • Dor de cabeça;

  • Irritabilidade;

  • Dificuldade de concentração;

  • Tonturas (especialmente se houver baixa ingestão de água).

➤ Jejum intermitente faz mal ao coração?

Nos últimos anos, surgiu o debate sobre o impacto do jejum intermitente na saúde cardiovascular, especialmente após a divulgação de um estudo observacional da Associação Americana do Coração.

Este estudo levantou preocupações sobre riscos associados a janelas alimentares curtas, considerando que pessoas que comiam apenas dentro de um período de 8 horas consecutivas, teriam maior risco de mortalidade cardiovascular.

Contudo, este estudo tem limitações importantes, uma vez que não prova causa‑efeito, baseia‑se em autorrelato alimentar e não avalia protocolos estruturados de jejum intermitente.

Por outro lado, ensaios clínicos mostram que o jejum intermitente não aumenta o risco cardiovascular e até pode melhorar marcadores do colesterol LDL, dos triglicerídeos e da pressão arterial.

Não há evidência científica de que o jejum intermitente faz mal ao coração. Contudo, se tem problemas cardiovasculares, fale com o seu médico antes de iniciar qualquer plano de jejum.

👉 Como fazer jejum intermitente corretamente

Siga estes passos para começar de forma segura e eficaz:

Infográfico com fundo bege e título “Como Fazer Jejum Intermitente”. Mostra um relógio dividido entre 8h de alimentação (ícones de garfo e faca) e 16h de jejum (ícones de lua e estrelas) com uma lista de 6 passos: escolher protocolo certo, manter hidrataç

➤ 1.º Passo: Escolha o protocolo certo

Para iniciantes, recomenda‑se:

  • 12 horas / 12 horas de jejum intermitente;

  • 14 horas / 10 horas;

  • 16 horas / 8 horas (quando já existe adaptação).

➤ 2.º Passo: Mantenha hidratação constante

Durante o período de jejum, é essencial manter uma hidratação constante para garantir o bom funcionamento metabólico e evitar sintomas como dor de cabeça, fadiga ou dificuldade de concentração.

Água, chá sem açúcar e café puro são bebidas permitidas, pois não quebram o jejum e ajudam a estabilizar a sensação de fome ao longo das horas sem ingestão calórica.

Uma boa hidratação também favorece a digestão, o equilíbrio eletrolítico e a capacidade do organismo de mobilizar gordura como fonte de energia durante o jejum.

➤ 3.º Passo: Opte por alimentos nutritivos na janela de alimentação

Inclua os seguintes alimentos na sua dieta, nos momentos em que termina o jejum:

  • Proteínas magras (tofu, ovos, peito de frango, peru, peixes brancos, salmão, truta, atum ao natural);

  • Legumes (brócolos, espinafres, curgetes, couves-flores, cenouras, pimentos, feijão-verde);

  • Frutas (maçãs, peras, bananas, laranjas, quivis, mirtilos, morangos);

  • Gorduras saudáveis (azeite virgem extra, abacate, frutos secos, sementes de chia, linhaça e sésamo, manteiga de amendoim 100%);

  • Hidratos complexos (arroz e massa integral, batata-doce, aveia, quinoa, pão integral ou de centeio, leguminosas como feijão, grão e lentilhas).

➤ 4.º Passo: Evite compensar com refeições muito calóricas

O jejum só funciona se houver défice calórico. Então, é essencial evitar refeições muito calóricas durante a janela de alimentação.

Se compensar as horas de jejum com excessos alimentares, o balanço energético fica positivo e o método deixa de produzir resultados, mesmo que o protocolo seja seguido corretamente.

➤ 5.º Passo: Ajuste o horário à sua rotina

Ajuste o horário do jejum à sua rotina diária, escolhendo uma janela alimentar que seja prática e sustentável para o seu estilo de vida.

Um exemplo comum é jejuar das 20h às 12h e alimentar‑se das 12h às 20h, garantindo consistência sem comprometer a organização do dia.

➤ 6º Passo: Treine durante a janela de alimentação

Treinar dentro da janela de alimentação é a estratégia mais segura e eficaz, porque garante energia disponível para o treino e facilita a recuperação muscular depois do exercício.

Ao realizar o treino após uma refeição equilibrada, preserva melhor a massa muscular, mantém o desempenho e evita o risco de fadiga excessiva associado ao exercício em jejum prolongado.

Jejum intermitente 16 horas: como fazer passo a passo

O protocolo 16/8 é o formato de jejum intermitente mais simples de implementar e, também por isso, o mais usado, porque organiza claramente as horas de alimentação e de abistinência.

Ao seguir este passo a passo, torna‑se mais fácil estruturar a rotina diária, manter a consistência e alcançar resultados de forma segura:

  1. Defina a janela de alimentação (ex.: 12h–20h);

  2. Jante cedo (até às 20h);

  3. Inicie o jejum após o jantar;

  4. De manhã, beba água, chá ou café sem açúcar;

  5. Almoce às 12h e coma normalmente até às 20h;

  6. Repita diariamente.

📌 Dicas para facilitar:

  • Comece com 12 horas de jejum e aumente gradualmente;

  • Evite alimentos muito açucarados na janela de alimentação;

  • Mantenha o consumo de proteína adequada (1,6 g/kg por dia).

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Cardápio de jejum intermitente (exemplo para 16 horas / 8 horas)

Este cardápio exemplifica como organizar refeições equilibradas dentro de uma janela de alimentação das 12h às 20h, garantindo energia adequada, saciedade e apoio ao défice calórico.

A estrutura segue o protocolo 16/8, combinando alimentos nutritivos e de digestão eficiente para otimizar resultados e manter a consistência ao longo do dia.

Infográfico colorido com o título “Cardápio Jejum Intermitente”, apresentando três refeições: almoço (frango grelhado, arroz integral, salada e fruta), snack (iogurte natural e frutos secos) e jantar (salmão, legumes, batata doce e chia). Inclui horários

➤ 12h - Almoço

Menu 1:

  • Peito de frango grelhado;

  • Arroz integral;

  • Salada verde com azeite;

  • 1 peça de fruta.

Menu 2:

  • Omelete de 2–3 ovos com espinafres e cogumelos;

  • Legumes grelhados (curgete, pimento, cenoura).

➤ 16h - Snack

Menu 1:

  • Iogurte natural ou skyr;

  • 1 punhado de frutos secos (amêndoas ou nozes).

Menu 2:

  • 1 banana;

  • 1 colher de sopa de manteiga de amendoim 100%;

  • Chá verde sem açúcar.

➤ 19h - Jantar

Menu 1:

  • Salmão no forno com limão;

  • Legumes salteados:

  • Batata-doce assada;

  • 1 colher de sopa de sementes de chia.

Menu 2:

  • Omelete de 2–3 ovos com espinafres e cogumelos;

  • Legumes grelhados (curgete, pimento, cenoura).

➤ 20h - Início do jejum

  • Pode tomar um chá sem açúcar antes de ir dormir.

Como fazer jejum intermitente para emagrecer?

Para emagrecer com jejum intermitente, o foco deve estar em três pilares essenciais:

  • Manter défice calórico – O jejum ajuda a reduzir calorias, mas não faz milagres;

  • Escolher alimentos nutritivos – É fundamental evitar comidas ultraprocessadas e açúcares;

  • Organizar horários de forma consistente – Os resultados aparecem após 4–12 semanas de prática regular e constante.

Quando estes três elementos trabalham juntos, o jejum torna‑se sustentável, eficaz e ajuda a alcançar os resultados de perda de peso esperados.

Jejum intermitente leva a uma rotina alimentar mais consciente

O jejum intermitente pode ser uma estratégia poderosa para melhorar a saúde, organizar a alimentação e para emagrecer de forma eficaz, desde que feito corretamente.

Mais do que uma moda, é um método simples, flexível e adaptável à rotina de cada pessoa, que obriga a ter atenção à qualidade dos alimentos, à hidratação e às necessidades individuais.

Seja através do protocolo de 12 horas, 14 horas, ou do popular jejum intermitente de 16 horas, o importante é começar de forma gradual, ouvir o corpo e manter a consistência.

Se seguir o plano traçado, pode transformar a sua relação com a comida e trazer benefícios reais para o seu bem‑estar diário.

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Escrevo conteúdos para a web há mais de 20 anos como jornalista e copywriter. Adoro explorar montes e vales por esse país fora. Detesto fazer mudanças e adoro correr à beira-mar. Tenho veia de poeta, sou mãe e uma verdadeira mulher dos sete ofícios!

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Nair dos Santos

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Technical SEO e Copywriter. Apaixonada por leitura e escrita, raramente me separo de um bom livro. Sensível ao modo como a Internet pode simplificar o quotidiano, escrevo no Toma Conta para ajudar os leitores a encontrar informação rigorosa e atualizada sobre serviços e tarefas de apoio ao domicílio.

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Sara Paiva

Sara Paiva

Socióloga de formação, Copywriter de paixão. Sou uma apaixonada por literatura (e pelas artes em geral), o que me levou a seguir uma carreira na área da escrita. Desenvolvo conteúdos para o Toma Conta com o objetivo de ajudar os utilizadores a obterem a melhor informação possível.

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